É tempo de acabar com a ilusão do tempo

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Faz hoje uma semana que fiz 36 anos.

Ou 3 dúzias deles, como diz o meu avô.

36, como 3 dúzias, em si, é nada.

Será muito para quem tem menos (quando era miúda a gente desta idade já era muuuita crescida… Para não dizer velha!) e muito pouco para quem tem mais (é tão bom encontrar quem ainda nos trata por “menina” ou “miúda”!).

36 anos – muito ou pouco – é apenas tempo.

E o tempo, em si, é igualmente nada.

O tempo foi, é e será – como sabemos – aquilo que dele fizermos. Os mistérios que esta iluminada desvenda, hã?!

No dia antes dos meus anos fui a uma missa de corpo presente do avô de um amigo meu, e no dia a seguir aos meus 36 anos fui com uma amiga fazer biópsias.

É caso para dizer mais um lugar comum (eu hoje estou verdadeiramente inspirada!): a vida é isto.

Uns dias chora-se pela morte dos que nos são queridos, noutros celebra-se a nossa vida e a de todos os que amamos, e dias há em que ficamos apenas, de coração nas mãos, sem saber muito bem se é vida ou morte, saúde ou doença, que a vida nos reserva.

E tudo isto se passa sobre esta coisa estranha que ninguém sabe muito bem definir e relativamente à qual existem muitas teorias: o tempo.

Questiona-se se haverá apenas um tempo ou vários tempos que correm em simultâneo sem se intersectarem. Crê, quem acredita na ressurreição, que o tempo será infinito na medida em que alcançaremos a vida eterna. E acredita ainda que terá outros tempos quem crê na reencarnação.

Pouco importa o que cada um acredita. Não por desrespeito pelas opiniões dos outros mas porque também pouco me importa aquilo em que eu própria penso sobre o assunto do que acontece “depois”.

Teorize-se o que se quiser, a verdade é que o tempo não passa de uma ilusão e tudo o que temos é AGORA.

2016 tem sido claríssimo em mostrar-me que o agora é tudo o que temos e é nele que temos de viver.

Não vale a pena ver o presente com os olhos do passado nem estar hoje a projectar o futuro.

Simplesmente porque não existe outro tempo. Ao contrário do Michael J. Fox, não temos forma de visitar – e mudar – o passado, nem de fazer fast forward de modo a certificarmo-nos que estamos no caminho certo.

A vida é agora. Nunca houve tempo em que a vida não fosse… agora.

Há muito que não escrevia e o motivo é simples: isto de viver no agora é muito absorvente!

A “desculpa” é tão simples quanto esta: tenho vivido intensamente consciente do momento presente.

E não é que escrever não seja uma forma de viver o presente – Nada disso! Então para mim que adoro pôr a vida no papel, se há coisa que tenho por certa é que não quero deixar de escrever.

Mas a verdade é que, nestes últimos 3 meses, dei por mim muitas vezes a pensar “isto é espectacular, tenho de escrever sobre isto!”, para logo de seguida responder a mim própria “não, isto é tão espectacular, que não quero perder nem um segundo disto!”.

Mesmo quando o momento presente não é exactamente aquilo que queria viver… Aprendi que aquilo que é.

Sendo um “nada” como disse no início do texto, no final, o tempo é TUDO o que temos. Que, na verdade, não é bem tempo, é apenas agora!

Por isso, não há “tempo” a perder.
É agora que temos de ser quem queremos ser!
É agora que temos de fazer o que nos faz feliz!
É agora que temos de saber com queremos estar… agora!

 

No final da missa a que fui na véspera dos meus anos um dos netos leu um texto escrito por ele que terminava da seguinte forma:

“Obrigado, avô, pelo tempo que me deu”.

 

E foi, com uma frase tão simples como esta, que muito do que aqui escrevo hoje se tornou claro como água: dar “tempo” é, provavelmente, a maior prova de amor que se pode dar a alguém. E o nosso tempo é agora!

Também eu tenho a sorte de ter pessoas a quem gostaria de agradecer o tempo que me dão. Elas sabem quem são.

Sinto, muitas vezes, que falho em dar do meu (desculpem!)… Talvez porque não tivesse consciência da importância do (meu) tempo e, mais do que isso, do momento presente.

Mesmo que a família continue a aumentar* (que bom!), vou esforçar-me sempre para que o (meu) tempo chegue para todos… os “meus”.

AGORA!

 

 

PS1 – *Para que não se gere aqui qualquer espécie de mal-entendido: não estou grávida!!

PS2 – É que o “tempo” passa…

 

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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