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Há semanas que não escrevo e alguns dias que não publico seja o que for. Têm sido uns dias de loucura!

Esta época do ano é sempre assim: tirei férias mas entre o ter que deixar tudo pronto no escritório, os teatros de Natal, os presentes de Natal, as festas de anos (o DM fez anos e ainda não escrevi o texto dele!), os almoços e jantares de família… Não tenho parado. Ainda não tive tempo para respirar.

Senão hoje, na noite de 24.

Vicissitudes inerentes ao meu estado civil fazem com que, desde há 3 anos, a véspera de Natal seja uma noite (ainda mais) calma. Muito mais “silent…” do que era suposto, diria eu!

Mas a vida é mesmo assim e se há coisa que o meu divórcio me fez foi tornar-me numa pessoa mais humana. Talvez por isto, neste que é o terceiro ano de uma noite de Natal sem filhos, dê por mim a pensar muito mais, em muitos outros.

Em todos aqueles que passam o Natal em cenários de guerra.
Em todos aqueles que passaram pelo horror dos mais variados atentados.
Em todos aqueles que estão a passar esta noite nas urgências de um hospital, por motivos verdadeiramente graves.
Em todos aqueles que estão a enterrar os que mais amam.
Em todos aqueles que estão doentes e sabem que, muito provavelmente, este é o último Natal que têm junto dos seus.
Em todos aqueles que, já velhinhos, passam o Natal sozinhos, mesmo tendo famílias inteiras.
Em todos aqueles que, por não saberem dizer “desculpa”, passam o Natal longe dos que mais amam.
Em todos aqueles que perderam alguém muito recentemente e, em especial, em todas aquelas mães sobre quem escrevi há dias e para quem vai parecer que este Natal não é verdadeiramente Natal…
… Porque é difícil comemorar o nascimento d’Ele, quando o nosso já não vive.

É que, por muito que me custe (e acho que por mais anos que passem, isto de ter filhos e de não os ter connosco no Natal vai custar sempre!), o meu Natal vai começar, daqui a pouco, quando o(s) meu(s) Menino(s) chegar(em). Logo depois da missa do galo.

Os meus vão chegar e, nesse momento, vai passar a ser Natal cá em casa!

Perdoem-me a “heresia”, mas para uma mãe (imagino que para um pai seja igual), só é verdadeiramente Natal quando – finalmente! – tem os seus filhos nos braços. Bem sei que quem nasce é Jesus, mas são eles que me entram pela porta adentro e é neles, na maior parte das vezes, que sinto o Seu Amor.

Por isso, penso em todos aqueles para quem o Natal não vai bater à porta à meia noite.

Ironia das ironias, há 3 anos que o meu Pai Natal é o meu ex-marido que me traz os únicos presentes que peço ao Menino Jesus e que me têm saído, de ano para ano, melhores do que a encomenda!

Não é verdade que sejam os únicos que peço. Este ano, sozinha neste cenário, pedi muito para muita gente.

Pedi e agradeci por todas as “minhas pessoas”. Aquelas sem as quais não seria quem sou, nem estaria como estou.

Pedi e agradeci por todos aqueles que hoje me ligaram e me ofereceram a sua companhia, as suas casas… O seu Amor, de alguma forma.

Pedi e agradeci por cada uma das pessoas com quem troquei mensagens de “boas festas” (odeio a expressão, porque não é verdade que seja necessariamente uma época de festa para toda a gente). Sei que há quem ache ridículo isto de se trocar mensagens (só) nestas alturas. Como em tudo, eu acho que depende da forma como se vive e eu gosto de parar um minuto ou dois e pensar naquela pessoa em especial, no que representa para mim, em tudo o que tem de bom e agradecer a sua presença na sua vida. É tão bom agradecer!!!

Pedi por todos os que perderam alguém recentemente e, sobretudo, pelos que passaram o Natal a despedirem-se dos que mais amam. Devia ser proibido morrer-se nesta altura!

Pedi. Agradeci. Agradeci muito.

Mentiria se dissesse que não cheguei também a chorar por aqueles que já não tenho e que me fazem tanta falta. Mas mesmo assim – a abarrotar de saudades pelo colo que já não tenho – agradeci tudo quanto me deram e o que de mim fizeram.

É como disse o ano passado no início do Advento (engraçado como nem sempre me arrependo de tudo quanto escrevo): apesar desta noite me parecer agora tão pouco natalícia, o meu Natal hoje tem sentido.

E tem sentido “porque sei exactamente que Natal quero viver e que Natal quero que os meus filhos vivam: um Natal (profundamente) agradecido por, um dia, alguém me ter ensinado que sempre que se ama é Natal.”

E, por isso, e por ter tantos a quem Amar tanto: muito obrigada!

Que sejamos capazes de ver para além das ausências. Afinal, por ser Natal, no Amor – ou com Amor – é possível que nos reunamos TODOS.

Mary Xmas.

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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