Querer mais não é ser menos

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Ando há que séculos para falar disto!… e decidi que não passa de hoje!!

Acabou-se! Já não dá mais para aguentar! É uma espinha que trago atravessada aqui na garganta e que, qual menina bem comportada, ando às voltas a tentar escolher a melhor altura para a tirar sem ninguém ver… Mas já não dá mais!!! Hoje, nem que tenha de ser com uma valente cuspidela!!!

A questão é básica e fracturante: eu acho, ao contrário da maior parte das pessoas com quem me dou, nomeadamente de muitos dos meus melhores amigos, que é normal uma pessoa querer estar numa relação. Para eles, isso é uma coisa que pode acontecer, mas que não se pode querer. Ou que não se deve… Porque é, de alguma forma, sinónimo de “fraqueza” ou que “não estás bem contigo mesma”…

Porque nós temos que aprender a estar bem sozinhos!
Só depois de sabermos estar bem sozinhos é que poderemos estar bem com outros!
Porque nós bastamo-nos a nós próprios!
Não podemos a andar à procura nos outros de coisas que faltam em nós!
Porque, porque, porque…

Confesso que, durante algum tempo, ainda “engoli” esta conversa, mas depois de três anos no “mundo dos solteiros” já vivi o suficiente para saber que isso é o correspondente à lenda da fada dos dentinhos (que na minha casa sempre foi o ratinho!) dos adultos.

Quando me divorciei (depois de 10 anos “comprometida”), das primeiras coisas que me disseram foi que estava de volta “ao mercado”. Confesso que na altura a expressão me chocou. Depois vim a perceber PER-FEI-TA-MEN-TE o seu sentido mas, ainda assim, prefiro continuar a usar o “mundo dos solteiros”. Não que os “desemparelhados da vida” tenhamos um mundo à parte, mas a verdade é que há realidades substancialmente diferentes que só se aplicam a quem está nesta situação.

Sim, porque os que não estão mas acham que estão e se comportam como se estivessem, esses, não contam e só servem para enganar quem está de boa fé, poluir o ambiente e distorcer as “regras do jogo”. Quem faz parte do “clube” sabe do que eu estou a falar. “Pseudo-solteiros” NÃO, por favor.

Mas voltando então ao nosso pequeno (ou nem tanto assim!) mundo dos solteiros, divorciados, viúvos, separados e afins (gente que está, efectivamente, disponível para se apaixonar, ter casos, dar umas voltinhas  ou fazer o que quiser): está na altura de deixarmos de acreditar na fada (ou no ratinho, you choose!) dos dentinhos!!!

Quer dizer, em boa verdade cada um acredita no que quiser, e se agarrar-se a essas teorias os ajuda a dormir melhor à noite, quem sou eu para as contradizer!

Por isso, e sem atacar crenças alheias, vou limitar-me a defender a minha e a lutar por uma causa que me é muito querida e que resumo no título que dei a este texto: ninguém é menos por querer mais!

Sempre que disse em voz alta que gostava de me apaixonar não houve uma alma caridosa que não me respondesse com (1) a tal teoria do “tens que aprender a estar sozinha” ou (2) uma lista pormenorizada das coisas boas que tenho na minha vida e que deveriam ser suficientes para me fazerem feliz ou (3) o maravilhoso cliché do “mais vale só do que mal acompanhada”.

Às vezes acho, muito sinceramente, que a maioria das pessoas me conhece mal e ainda não está muito habituada a esta minha mania de dizer o que penso e, mais do que isso, de dizer o que sinto!… E isto geralmente “causa mossa” quando as pessoas, algures na sua vida, já sentiram o mesmo, mas nunca o verbalizaram… muito provavelmente com medo de que, assim, as coisas ganhem existência. Eu acho justamente o contrário: quando identificamos e verbalizamos o “problema”, é meio caminho andado para conseguirmos encontrar uma solução.

Por isso, gente do meu coração, vamos lá ver se nos entendemos!

(1) Talvez não soubesse ab initio o que era estar sozinha com duas crianças em casa e, estou certa, muitos disparates terei cometido na ânsia de preencher o vazio que se instala depois de uma separação de alguém com quem se partilhou a vida durante dez anos. Todavia, o tempo passa, as coisas vão acontecendo e, com alguma sorte, vamos aprendendo algumas coisas com a vida. Pegando no meu exemplo, três anos depois de um divórcio (e não obstante as relações que possam ter existido entretanto) já ninguém se precipita para uma relação com medo de ficar sozinha!!! Já se viveu sozinha tempo suficiente para esse ser o gatilho que nos impele a começar uma nova relação. Mais, eu arriscaria até dizer que já se começa a ficar com vícios que dificultam a entrada de outra pessoa na nossa vida… Portanto, minha gente, antes de espetarem com o argumento do “fantasma da solidão” a alguém, talvez não seja pior pensar uma… ou duas… ou três vezes, se será mesmo esse o caso. É que às vezes não é ou, pelo menos, já não é…

(2) Quando o argumento é “oh, mas estás tão bem! Tens uns filhos fantásticos, saudáveis, amorosos, super bem educados, um emprego de que gostas e uma carreira na qual te estás a safar bem e uma casa toda gira… O que é que queres mais?”, eu juro que tenho alguma dificuldade em responder. Porque sim, têm razão!!! Toda a razão! É óbvio que eu tenho tudo isso e, em termos relativos, provavelmente tenho mais do que 95% da população mundial para ser feliz. Mas aí, deixem-me que vos diga que bastaria dizer que tenho dois filhos saudáveis para que isso fosse mais do que suficiente para ser feliz. Na essência, não precisaria mais do que isto e dinheiro para os alimentar. É verdade. Se quisermos limitar a “aferição da felicidade” ao mínimo e indispensável para sermos felizes, então deixem-me dizer-vos que isso nos deveria bastar. A todos.

E, se por um lado basta, e por isso todos os dias agradeço a sorte que tenho em que assim seja, por outro, acho que está na natureza de qualquer ser humano ambicionar sempre um bocadinho mais. Há quem sonhe em ter uma casa de campo, ou em dar a volta ao mundo ou em comprar um Porsche ou em chegar ao cargo xpto. Eu sonho em viver uma grande história de amor. Posso?? (E a Mary volta a expor-se! Uuuhhhh)

(3) Por último, e respondendo ao clichézinho mais cliché que conheço (quem me responde com esta , não me conhece de todo!), é óbvio que “mais vale sozinha do que mal acompanhada!” eu iria mais longe e diria até que “mais vale sozinha do que mal apaixonada”!!! Eu sou a ÚLTIMA pessoa a defender que se fique com alguém “porque sim”! Aliás, quem sabe da minha história, sabe que eu já tive a oportunidade de conhecer pessoas excepcionais mas que, simplesmente… “não deu”.

Infelizmente não deu porque, ao que parece, não mandamos no nosso coração (será que algum dia me vou habituar a esta coisa de não controlar tudo?!). O que também é uma grande treta, convenhamos!!!

Tudo somado, e em resposta aos defensores das fadas e dos ratinhos, temos que NÃO estou descontente com a minha vida (muito antes pelo contrário: sinto-me plenamente realizada profissionalmente, AMO ser mãe do meu rissol e do meu croquete e vivo rodeada dos amigos certos que me garantem o afecto “necessário”), NÃO tenho medo de estar sozinha (até gosto e começo até a ter medo de gostar demais!) e NUNCA ficarei com alguém só porque sim. Ainda assim, (ler pausadamente e com um ar convicto sff): profundamente, quero um dia vir a viver essa história de amor. Não tenho pressa, nem sou infeliz nesse entretanto (muito antes pelo contrário!), mas sei que ficarei (ainda mais) feliz quando encontrar o grande amor que tanto quero viver.

Serei só eu?

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

2 Comments

  1. Mais uma vez revejo-me em tudinho!
    Obrigada por o verbalizar tão bem.
    De uma mãe divorciada com dois filhos que também quer viver um Amor… Um grande bem haja!!! :-*

    1. Obrigada, querida Claudia! Grande beijinho!

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