O teu dia também é meu!

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Meu amor,

Há sete anos que este é, para mim, o dia mais importante do ano.

Foi neste dia – um bocado estúpido, convenhamos, porque isto de fazer anos em Agosto não dá jeito algum! – que tu nasceste e que se tornou realidade o maior sonho da minha vida.

Talvez não saibas, mas quando a mãe era pequenina e lhe perguntavam o que queria ser quando fosse grande, a mãe dizia sem hesitar: “quero ser mãe”. E, curioso, que a mãe nunca foi uma pessoa pouco ambiciosa do ponto de vista profissional, mas sabia que, fizesse o que fizesse, mãe teria que ser.

Passava horas e horas a pensar no nome dos meus filhos e, desde muito cedo que o meu filho mais velho seria rapaz e chamar-se-ia MM.

A vida dá muitas voltas e, às vezes, as coisas nem sempre correm como nós queremos e podia não ter sido assim… mas eu acho que houve “alguém” que percebeu que a mãe “não estava a brincar” (sabes quando a mãe faz aquela cara de má?!) e que isto era o que a mãe mais queria da vida.

E o sonho tornou-se realidade a 3 de Agosto de 2008, aos 28 anos, tive o privilégio de ser mãe de um MM (é por estas e por outras que nós sabemos que tens o anjo da guarda mais atento do céu!… Escusavas era de o pôr à prova tantas vezes, filho meu!).

Mas é engraçado como – para quem acredita nestas coisas! – nós homens somos tão “pequeninos” e, não raras vezes, o projecto de Deus ultrapassa, em larga medida, tudo aquilo que tínhamos sonhado! Assim foi contigo, MM. A mãe sabia que queria ser mãe, mas não fazia ideia que ser mãe fosse esta loucura!!!

Graças a ti (e ao DM, claro!) estes foram os 7 anos mais felizes da vida da mãe!

Nem tudo foi um mar de rosas e há coisas pelas quais, se calhar, preferíamos não passar, mas independentemente do que possa ter acontecido, viver diariamente o privilégio de ser vossa mãe faz com que TUDO tenha valido a pena.

Atenção que quando a mãe diz que realizou há 7 anos o maior sonho da vida da mãe é bom que fique claro que ser mãe não é um sonho que se esgote no momento em que nasce um filho… Muito antes pelo contrário! Até porque nesse dia, não nasce só um filho. Nasce um filho e uma mãe e, desde então, temos os dois aprendido, diariamente, como é que isto se faz… E nem sempre é fácil, pois não?!

Ainda por cima, o primeiro filho é sempre uma espécie de cobaia e, estou certa, que não me livrarei de ser tema de algumas sessões de terapia quando fores um bocadinho mais crescido (até porque a culpa acaba por ser sempre das mãezinhas!). Infelizmente vocês não vêm com livro de instruções e nós, pais, acabamos por fazer uma série de disparates. Quando chegarmos a essa altura (que ainda espero que esteja longe e, por isso, não vou sofrer por antecipação!), vou contar-te a história do que aconteceu na véspera de fazeres sete anos.

Foi, mais ou menos, assim:

 

Uma vez, no dia 2 de Agosto de 2015, tínhamos acabado de chegar ao Algarve, de descarregar o carro e arrumar a casa e fomos a correr para o Pingo Doce para deixarmos as coisas todas tratadas para no dia a seguir podermos ir festejar os teus anos para um parque aquático.

No meio dos limões, das alfaces e dos brócolos que a mãe pedia que fosses pondo nos sacos e enquanto o teu irmão fazia malabarismos no carrinho das compras, tu puxaste a minha t-shirt e disseste, ali, no meio do corredor dos legumes:

MM – “Oh mãe, sabe que eu não fico triste se a mãe não tiver presentes para me dar amanhã… Aliás, eu não preciso de presente mesmo!”

Achei estranhíssimo, confesso! Tu adoras fazer anos e tens sempre milhares de coisas que gostavas de receber! Mas tu continuaste antes que eu pudesse reagir:

MM – É que eu tenho tudo o que uma criança pode desejar.

M – Sim??? Então o que é MM?

Já estava a prever que vinha coisa querida, mas confesso que não estava à espera disto:

MM – … A melhor mãe do mundo!

 

E abraçaste-te a mim com esses olhões gigantes a transbordar carinho, ali, entre as maçãs e as berinjelas, e os meus olhos ficaram cheios de água e eu sem me conseguir mexer… Até levar umas “buzinadelas” dos carros das pessoas que também queriam chegar aos verdes… Insensíveis!!! Uma pessoa já não pode ficar a “namorar” com um filho no meio de um corredor de um supermercado do Algarve, no mês de Agosto, em “hora de ponta”?!

Os anos são teus, meu amor. E tu estás, sem dúvida, de parabéns! Estás crescido! De cabeça mas, mais importante, de coração!

Mas deixa-me que te diga que este dia também é muito meu!

Não que me queira “apoderar” da tua data, mas com o teu nascimento, nasceu a “mãe Maria”.

MM, tu o teu irmão, são, sem sombra de dúvida, o maior e o melhor projecto de toda a minha vida e hoje que fazes sete anos, prometo-te que vou fazer de tudo para que continues a achar que “tens tudo o que uma criança pode desejar”.

Um beijo da tua mãe.

 

#wellalwaysbetogether

mary

Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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