11904642_10207659258699167_4971353054465359797_n

Estou há quase 2 semanas sem ver os meus filhos e confesso que nestes últimos dias já ando a viver um bocadinho em apneia, pelo que imagino que o meu cérebro não esteja devidamente oxigenado para escrever um texto público. Ainda assim, vou dar o meu melhor porque quero falar de CORAGEM!

Às vezes temos a tendência de olhar para a vida dos outros e dizer “eu não teria coragem de fazer aquilo”. E, com isto, não estamos necessariamente a reconhecer o nosso medo e a coragem de quem o fez, mas, mais, muito mais, a legitimar a nossa falta de coragem, criticando veladamente a opção do outro. Do género: de certeza que é irresponsável ou, na melhor das hipóteses, não ponderou todas as variáveis da equação. Se tivesse pensado como deve ser…

Quando temos medo de avançar nós é sempre tão mais fácil criticar quem se chega à frente!

Digo isto – e contra mim falo – porque acho que, vezes demais, deixamos que o medo nos paralise e poucas são as life changing decisions que tomamos… amparados sempre na prudência. Ao menos somos prudentes. E ponderados! E equilibrados!! O quanto nós gostamos de ser equilibrados!

Desde quando é que alguém é feliz por ser equilibrado? Ser equilibrado até pode ser bom… Mas depois o que é que se faz com isso???

O meu ramo profissional é fértil em histórias de amor de cortar a respiração; hoje vou falar desta, mas há uma outra que não me escapará!

Há uma Senhora que eu conheço e que admiro profundamente e que, apesar de não conhecer a história em detalhe, sei o suficiente para a considerar das pessoas mais corajosas que já conheci na vida. Estamos a falar de uma mulher portuguesa, com mais de 45 anos (espero não estar muito longe da verdade!) e com uma carreira de sucesso em Espanha que decidiu emigrar para Viena! Porquê?

Porque num destes nossos congressos conheceu um homem por quem se apaixonou (há já alguns anos) e querem estar juntos. Simple as that.

Ou not so simple?! Se eu dissesse que ela tinha recebido uma proposta de emprego milionária toda a gente acharia normal que ela se mudasse – a ela e à família – de armas e bagagens para Viena, mas por amor?!… Será que ela ponderou bem? Será que pensou em todos os cenários possíveis? Mas eles já experimentaram viver juntos antes? Mas então e se aquilo não funciona?

A minha resposta a todas essas perguntas é NÃO SEI!!! Mas, mesmo que soubesse, a resposta em nada alteraria o que eu penso sobre o assunto: BRUTAL!!! E tem-me feito pensar se seria capaz do mesmo e acho sinceramente que não. Acho que, depois de uns “bumps” aqui e ali, acabamos por ficar demasiado racionais para “apanhar o avião para Viena”… Ainda assim, não deixo de achar que ela é que está certa e que quem nos dera partilhar todos desta coragem!

Outro dia apanhei isto no Facebook e que traduz, na perfeição,  a fibra desta mulher:

11920486_10206155795008280_585463798_n

Os filhos “normais” costumam dizer que têm mais saudades da mãe do que ir à lua e voltar ou qualquer coisa do género. O meu MM, estas férias, começou a moda de dizer que prefere ver-me do que ser presidente do mundo “ENteiro” (não sei a quem ele sairá com esta vontade de mandar!). Mas, como será de imaginar, isto tem gerado os diálogos mais improváveis, até porque a teoria vai ficando mais elaborada de dia para dia.

Ontem disse-lhe que a minha primeira lei seria que o amor fosse a força mais poderosa do mundo. Ao que ele respondeu com a voz ingénua, como só uma criança de 7 anos consegue ter mas, ainda assim, com um ar ligeiramente indignado:

 

MM – “Mas não é, mãe?! A mãe sempre nos disse que era!!!”

(Ups! Já foste, Mary!!! Não convém mesmo esquecermo-nos do que dizemos às crianças!!)

M – É, meu querido! Mas infelizmente nem toda a gente sabe! Se fosse uma lei, todos seriam obrigados a cumprir!

(Graças a Deus também me vou sabendo safar…)

Enquanto o meu filho e eu não pudermos ser presidentes do mundo inteiro, fico-me pelo desejo que tenhamos a coragem de ser, cada vez:

mais verdadeiros connosco próprios

(às vezes somos as pessoas que mais nos enganamos!)

que aprendamos a ouvir o que nos diz o coração

(nunca nos mente!)

que tenhamos a ousadia de fazer o que ele nos pede

(nem sempre é uma irresponsabilidade!)

e suficientemente fortes para viver a vida com que sempre sonhámos.

Quem se atreve???

mary

Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.