11903891_10206162386733069_370341009488815206_n

Se tudo tiver corrido bem, hoje não estou a escrever nem a publicar textos no (pseudo-) blogue.

Se tudo tiver acontecido como é suposto, agora estou deitada com o meu rissol e com o meu croquete (para quem me lê pela primeira vez, não são animais de estimação… são mesmo os meus dois filhos!), um de cada lado, bem aninhados em mim, a lermos o “Mexe esse rabo gordo, pá!”.

Sim, leram bem. E sim, fui eu que comprei o livro (fabuloso!) com o título didático. Mas não me quero dispersar do essencial que era os meus filhos estarem de volta ao NINHO!!!

Este texto foi escrito ontem.

Ontem já estava há 14 dias sem eles (dito assim, até pareço uma junkie a contar os dias que estou clean) e fui para a praia com amigos para ver se “espairecia”. Pois bem, às vezes, por muito ar puro que se apanhe nas trombas (desculpem a expressão, mas hoje era mesmo isto) de nada adianta, se estivermos com “as vias entupidas”…

Assim estava eu ontem: aparentemente havia muitas “coisinhas” engraçadas para se ver, mas para todo o lado que olhava, eu só via famílias cheias de filhos! E quando calhava os filhos serem rapazes, então aí só me apetecia ir lá e, com uma vozinha irritante, como fazem as miúdas quando querem fazer pirraça às amigas – sabem? – dizer: “eu também tenho DOIS, toma, toma!”.

Eu sei que isto não é normal (mais uma coisa que tenho de tratar, para além da patologia das organizações e das arrumações), mas nos “dias que não são meus” (porque estão com o pai) parece que tenho uma necessidade louca de informar o mundo (e o mundo interessadíssimo, como devem imaginar!) que sou mãe. Ridículo, eu sei, mas é uma coisa que faz parte da minha essência e acho que me custa que as pessoas olhem para mim e não vejam isso… Atenção que não vale gozar quando é o próprio a admitir que é maluquinho!!!

Não foi fácil! 15 dias sem filhos é uma prova de fogo difícil de ultrapassar, mesmo para quem, como eu, já está habituado a “ligar o piloto automático” para poder viajar em trabalho, com alguma regularidade. A grande diferença é que é sempre por períodos bem mais curtos.

Voltando a ontem, a certa altura resolvi ir sozinha dar um mergulho.

O ar é de todos, mas ali na rodinha de amigos (ampla, convenhamos), achei que não havia ar suficiente… (once again… estou a reconhecer!) e, ao molhar os pés, tentei inspirar bem fundo… sabem? Como vemos nos filmes. Como quando – secretamente! – desejamos que o oxigénio que inalamos venha carregado de Xanax e nos acalme por dentro?? Tentei uma, tentei duas, tentei três vezes. Não funcionou. A ansiedade que sinto só se cura com dois abraços de quatro mini braços.

Abraço de filhos está para esta coisa da ansiedade como beijinho de mãe está para feridas, arranhões e afins. Só que, ao contrário do que os crescidos acham que sabem, tanto um como outro curam mesmo! Está provado cientificamente!

Estou desesperadamente a precisar dos meus dois abraços e sinto, sinceramente, que estou no meu limite.

Eu nunca corri maratonas (em bom rigor, nunca corri, full stop), mas imagino que seja mais ou menos este o sentimento que os atletas têm quando começam a avistar a meta. Devem estar exaustos e esperam conseguir passar a meta porque estão, de algum modo, psicologicamente preparados para chegar até lá. Mas lá é lá. Nem mais um milímetro!

É assim que me sinto hoje (véspera “do hoje” em que me estarão a ler): não aguentaria nem mais um dia.

Há poucas coisas que me deixam tão inquieta como este dia. Acho que só mesmo a véspera do dia em que tenho de os entregar.

Uma coisa é certa: amanhã, ou melhor, hoje (isto de escrever em diferido não é fácil!) vou esmigalhá-los!

Das últimas vezes que falei com eles ao telefone certifiquei-me de os fazer prometer que o poderia fazer (a advocacia a ajudar na maternidade! Quem diria?!). Isso e dar milhões de beijinhos! Por isso, o “mãe já chega” não vai valer!… Já avisei! Vou dar TODOS os beijinhos e abraços e apertões que me apetecer!!! Mãe precavida tem vidas infinitas! Como nos jogos, claro…

O MM já decretou que será “dia mãe e filhos” e só vamos fazer aquilo que nos apetecer! Jogar jogos, ver filmes, fazer uma pizza party, o que quisermos… na certeza, porém, de que amanhã (hoje!), muito excepcionalmente, vai TUDO para a cama da mãe para dormirmos juntinhos.

Não é pedagógico e não quero saber! Mas a mãe também precisa de carregar baterias e isto funciona tipo carregador. Apesar da quantidade de pontapés que vou levar durante a noite… Sim, porque estes fedorentos já não são propriamente bebés!

Espero sinceramente que os filhos de todos aqueles que continuam de férias com “o outro lado” regressem depressa!… Porque isto de eles terem muitas férias é óptimo (blá, blá, blá, ninguém põe isso em causa), mas viver em apneia e de coração fora do lugar não tem piada alguma!!!

Por isso, pessoas muito queridas que me lêem, desculpem o texto de hoje não estar fresquinho e ter sido cozinhado de véspera, mas aqui no nosso ninho não há wifi e, se tiverem lido um dos meus últimos textos, sabem que vai ter de haver “muuunt’abraço” por estas bandas, para me certificar que o meu coração (que andava a dar mergulhos pelo Algarve) volta a encaixar no seu devido lugar e que eu volto a conseguir encher os pulmões de ar.

Afinal, estas sim, são as duas únicas “coisas” de que verdadeiramente preciso para viver.

mary

Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

Copy Protected by Chetans WP-Copyprotect.