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Há uns dias, “do nada”, a meio do jantar, o meu filho de 5 anos disse para o de 6:

DM – MM, quando eu tiver filhos, queres ser o padrinho do meu filho mais velho?

MM – Sim… Mas só se tu também me prometeres que vais ser o padrinho do meu.

DM – Prometo! Combinado! Vamos ser os padrinhos dos nossos filhos. Tu do meu e eu do teu. Mas o meu deve ser uma menina.

MM – Ah!!! como é que tu sabes isso???

DM – Não sei, mas gostava. Gostava de ter muitos filhos e que fossem meninas.

(onde é que este miúdo foi buscar esta paixão por miúdas?!?)

MM – Ah, mas eu não vou ter muitos… Vou ter um… Ou dois… Porque ter filhos custa muito dinheiro, não é, mãe?

(ui! eu que estava deliciada enquanto espectadora, fui chamada a intervir!)

M – Sim, MM. É preciso algum dinheiro para a educação e para a comidinha dos filhos, mas com boa vontade, tudo se cria!

MM – Ah, mas a mãe só teve dois!

M – A mãe só teve dois porque entretanto os pais separaram-se, mas senão eram capazes de ter tido mais, porque os pais gostam muito de vocês e gostaram muito de ser pais!

DM – Sim, vês, dá para ter imeeeeensos!

M – Também não diria imensos, DM. Para se ter filhos, é preciso ter responsabilidade.

DM – Ai é, mãe?!

M – Convém, filho…

(tentando manter o ar sério)

MM – Sim, e se se tem muitos filhos como é que se tem a certeza que se tem espaço no coração para todos???

M – Ahhhhh, MM! Essa é uma das maiores magias da vida! É que, ao contrário da maior parte das coisas, o amor não se divide, multiplica-se! A mãe aprendeu isso quando o DM nasceu… A mãe tinha algum receio porque achava que seria difícil gostar de alguém tanto quanto a mãe gostava de ti, mas bastou a mãe começar a sentir o DM dentro da barriga da mãe, para saber que ia gostar dele, tanto quanto gostava de ti. Ou seja, não passou a gostar menos de ti, mas a gostar o mesmo do DM…. É como se o coração crescesse.

MM – Até ao infinito, mãe?!

M – Olha, como diz o Buzz Lightyear: “Até ao infinito e mais além!” A prova está na promessa que vocês acabaram de fazer um ao outro.

Não há altura em que eu ache mais que “até hei-de estar a fazer alguma coisa bem”, como quando vejo os meus filhos juntos. Eu sei que eles são pequeninos, que no percurso da vida muita coisa pode mudar, mas testemunhar o amor sincero que sentem um pelo outro é qualquer coisa de absolutamente extraordinário!

São duas crianças completamente diferentes! Arriscar-me-ia a dizer que são diametralmente opostas e, ainda assim, têm um sentimento de fraternidade muito para além da amizade. Os 16 meses que os separam são o suficiente para que o mais velho se sinta (sempre!) o irmão mais velho (protector, carinhoso e mandão!) e o mais novo se sinta o bebé lá de casa, que às vezes sabe mais do que todos nós juntos, mas continua a desempenhar o seu papel na perfeição: a deixar o irmão ganhar e a seduzir a mãezinha-pulso-de-ferro, com uma pinta que é hilariante ver.

Se tudo assim se mantiver, os meus filhos vão ser padrinhos dos meus netos/netas e devo confessar que esta ideia de amor que se transmite e que, de alguma forma, nidifica entre nós é algo que me dá uma alegria profunda.

Estamos no mês do amor! Romântica que é, a Mary não irá perder certamente a oportunidade para “meter colherada” no amor que chamaria de romântico, mas por agora o que me vai no coração é mesmo esta alegria do amor que cá em casa (ainda) se vive a três, mas que, já percebemos, tem uma capacidade infinita de se multiplicar.

É esta a verdadeira magia em que acredito!

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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