Carnaval: folia ou fobia?

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Entre ser sexta-feira 13, o Carnaval nos colégios dos miúdos e o dia dos namorados aí mesmo à porta, é notório que hoje há algo de diferente no ar!

É engraçado porque tanto o Carnaval, como o São Valentim, despertam nas pessoas sentimentos antagónicos. São mais duas daquelas coisas capazes de separar o mundo em dois.

Relativamente ao Carnaval, assistimos hoje à picardia do costume entre os pais que não aguentam guardar só para si e partilham fotografias dos seus “self-minis” mascarados das coisas mais inacreditáveis (e, por vezes, indecifráveis!) e aqueles que, não gostam do Carnaval, mas dão-lhe suficiente importância para escrever posts a criticar o facto de o FB estar inundado de criancinhas vestidas de coisas estranhas!

É óbvio, para quem já me vai conhecendo, que me revejo mais nos primeiros, não só porque, de facto, não resisto a partilhar a minha MAÇÃ e o meu RICHIE McCAW, mas também porque, muito sinceramente, já não há paciência para criticar escolhas dos outros que em nada afectam a nossa vida.

Eu diria – isso sim! – é que enquanto as fotografias forem (só de) crianças mascaradas, estamos nós muito bem! Adultos a brincar ao Carnaval, confesso que não é muito a minha onda!

A Mary, esta personagem assumida e orgulhosamente lamechas (é tão bom sermos transparentes e não termos que ter vergonha de demonstrar as coisas que sentimos!) adora ver as tais criancinhas – que supostamente são filhas dos nossos amigos – felizes e mascaradas! E, há que confessa-lo,  também gosta de ver as outras que vão infelizes e nitidamente contrariadas!… Essas normalmente até são as mais engraçadas!!!

Lembro-me tão bem o que é ser uma “dessas”! Houve um ano (por volta da segunda ou da terceira classe), em que todas as minhas amigas (eu incluída, claro!) combinámos ir de “Dama Antiga” (o que actualmente corresponderia, em termos de originalidade, à quantidade de “Elsas” que havia hoje por m2, nos colégios deste país!).

Pois bem, a vida dá voltas e eu acabei por ter que ir de Nazarena, porque já era o ÚNICO fato disponível para a minha idade, quando fomos à loja onde se alugavam os fatos. Sim, porque na altura ainda não havia chineses! Ou melhor, haver havia, mas ainda não tinham conquistado Portugal.

Long story short, no dia seguinte, lá estavam elas, quais princesas da mais alta nobreza portuguesa e aqui, a boa da Mary, de saloia das sete saias!!! Nem quero imaginar as trombas com que terei ido para o Colégio! Este é, claramente, um daqueles traumas que vou levar comigo para a cova!.. Mas entretanto não deixa de ser uma boa história para se contar e uma óptima desculpa para não se gostar do Carnaval.

Máscaras das crianças à parte, o que eu gosto, sobretudo, é de ver (ou ler) os pais que, se virmos bem, estão ainda mais felizes do que os próprios filhos! E todos estão – muitas vezes sem darem por isso! – a criar recordações.

Building memories, adoro esta expressão.

Regressando ao presente, e agora falando já nos meus filhos, este ano, o MM tinha “tema de turma” que o obrigava a escolher uma personagem da “Branca de Neve e os sete anões” e, por isso, foi de… MAÇÃ!!! Se houve ou não dentadinha da Branca de Neve é uma informação de que ainda não dispomos a esta hora, mas como era a única maçã, pode ser que tenha tido sorte!… Até porque Brancas de Neve havia muitas!

O DM quase não se mascarou! Quer dizer, quis ir de Richie McCaw, capitão dos ALL BLACK (que é tipo o Ronaldo do Rugby) que é, mais metro, menos metro, a cara dele! É provável que haja alguns meninos lesionados porque o rapaz encarnou a personagem e começou a fazer placagens logo de manhã… Os “coleguinhas” e as professoras devem ter achado o máximo ter um mini jogador de rugby à solta no Colégio.

Deve ser por estas e por outras que depois, na primária, inventam o “tema de turma” ao qual os alunos não podem fugir… Um verdadeiro apelo à criatividade. Dos pais, claro! Eu confesso que gosto deste tipo de desafios e que me dá imenso gozo preparar tudo ao mais ínfimo pormenor – até àqueles que ninguém liga! – e deixar um bocadinho de mim, nos fatos deles. Gosto de saber que, até no Carnaval, mesmo estando mascarados de outras coisas, têm lá o meu “carimbo”. Porque eles sentem-no.

Hoje sou mãe orgulhosa de uma maçã e de um craque de rugby!

 

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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