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Num dia que, já de si, é, para mim, muito importante, tive o privilégio de reunir em minha casa um grupo de pessoas verdadeiramente especiais. A quantidade de qualidades humanas por m2 que circulava chez moi nessa noite era, de tal forma excepcional, que era coisa para ir parar ao Livro do Guinness… Assim houvesse uma forma objectiva de medir a qualidade de uma pessoa!

Como não há, a medida que uso terá de ser aquilo que sinto por cada um deles e, nessa escala, esta gente é imbatível!

Tenho a perfeita noção que sou do mais parcial que existe… Mas, sinceramente, marimbei para a objectividade!!! Por alguma razão sou advogada e não juíza. Prefiro defender a julgar, e os “meus”, podem ter a certeza, defendo-os com unhas e dentes!

Eu não sou o tipo de pessoa que tem 300.000 amigos. Nunca fui.

Sempre tive a sorte de estar em grandes grupos de amigos de que guardo memórias fabulosas: no colégio, nos grupos, em Azeitão, em Caminha, na Nazaré, em São Pedro de Moel, no Algarve, na Católica, nas casas de uns e de outros… Foram tantos os sítios onde os outros foram escrevendo as suas histórias na minha vida! Tantas pessoas que fizeram parte da minha vida e que deixaram pegadas – mais ou menos profundas – na minha alma. Às vezes, até os episódios mais cómicos têm a capacidade de nos marcar para sempre.

A história mais embaraçosa de que me lembro (esta patologia de me envergonhar perante estranhos deve ter um nome!) será, talvez, a que aconteceu em São Pedro de Moel, quando o nosso grupo foi passar férias a casa de umas amigas gémeas (ainda hoje, muito queridas e muito especiais!). Estava a sair da praia e lembrei-me que precisava de pensos higiénicos, pelo que decidi acelerar o passo e passar, à socapa – tentando que ninguém me visse! – pela mercearia (ridículo, bem sei, mas aos 15 anos todas as miúdas têm vergonha de ter o período!… Pelo menos “no meu tempo”, tínhamos!). Acontece que um dos meus amigos (por quem até tinha uma “ligeira” paixão… tinha que ser logo este!!!) “topou-me” e resolveu seguir-me. Ao ver o que eu ia comprar e sem eu ter dado pela sua presença, no momento em que eu estava a pagar, começo a ouvi-lo cantar, aos berros e de guitarra na mão a acompanhar, “LADY IN RED, is dancing with me…”, bem à porta da mercearia para todos os nossos amigos que, nesse momento, regressavam da praia, ouvirem… Alguém tem noção da quantidade de vezes que ouvi essa música nesse Verão?!?!

Mas, por muito bom que seja o sentido de pertença a um grupo, uma coisa é fazer parte de grupos e outra, bem diferente (pelo menos, para mim), é saber, ao certo, quem são os nossos amigos. E eu sempre tive esse cuidado. Isso não significa que se excluem os outros com quem se passam tão bons momentos, mas sim que, na hora de dizer quantos amigos se tem, sabe-se que esse número não corresponde ao que figura no Facebook.

Há amigos (poucos) que vêm de sempre e ficarão para sempre, é certo, mas também há muitos outros que são extremamente importantes em determinadas alturas das nossas vidas e que, por um motivo ou por outro – não necessariamente mau, às vezes a vida é mesmo assim! – vamos perdendo contacto… E não quer dizer que não tenhamos muitas saudades de muitos deles.

E até há uns que saem do nosso dia-a-dia, mas o lugar que um dia ocupavam era de tal forma importante e profundo que ficarão para sempre com a marca do seu assento no nosso coração!!! Eu tenho alguns lugares cativos destes que, apesar de não serem frequentemente ocupados, estarão sempre lá. Reservados.

Isto tudo para dizer que não quero, de modo algum, menosprezar os muitos e muito bons amigos que tive e tenho o privilégio de ter tido ao longo da vida. Nem se trata, sequer, de dizer que “estes agora é que são”, mas quando a pessoa é apanhada no meio de uma tempestade como é sempre, inevitavelmente, um divórcio (por mais amigável que possa ser), todos precisamos de bóias, porque ninguém aguenta passar o tempo todo a nadar no meio de um remoinho, sem ter onde, de vez em quando, se poder segurar.

Por isso, é inevitável que em momentos-chave da nossa vida, os amigos desempenhem um papel (ainda mais) crucial e, nessa medida, se torne claro quem está, quem fica, quem chega de novo, quem se redescobre. Nestes momentos é, de facto, como se estivéssemos em alto mar: tudo fica muito transparente. As nossas “tábuas de salvação” revelam-se porque (1) estão sempre perto e (2) nunca nos deixam ir ao fundo.

A grande surpresa, para mim, foi perceber que essas tábuas nem sempre têm de ser as pessoas da família ou os amigos que conhecemos desde que nascemos (se bem que também os há!). O lado bom de tudo isto foi descobrir que a maré nos traz, vindos sei lá de onde, novos “ilhéus” onde podemos ir ancorando… para continuar a navegar.

Os amigos são todos diferentes. O que os une é o que significam para nós. Como eu tenho pânico que me aconteça alguma coisa e as pessoas não saibam o quão importantes são para mim, falo…. e escrevo…. e dou jantares só para lhes dizer isso mesmo. E, por isso, claro, tenho fama – e proveito! – de ser lamechas.

Mas eu sou assim. Já me aceitei assim e como diz a música (fáxavor cantar com pronúncia brasileira): “quem gostar de mim, terá que ser assim, assim, assim”!

Há quem diga que a amizade não se agradece mas eu discordo e, por isso, aqui fica um beijinho profundamente agradecido para todas as pessoas que têm a generosidade de serem minhas amigas.

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Queridos amigos,

Eu não sei se continuarei nas vossas vidas e vocês na minha como estamos agora, mas uma coisa é certa: já nada poderá apagar as vossas marcas no meu percurso.

Trago-vos, a todos, tatuados no coração.

Só espero que saibam que eu também sei nadar e que, apesar das minhas curvas ;), dou uma g’anda tábua de salvação! Ninguém vai ao fundo com a Mary por perto!

Tão vossa,

Mary

 

Agradecimentos: Pedro Moura Pinheiro pela fotografia!

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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