Há dias que marcam a alma e a vida da gente

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Faz hoje precisamente sete anos que recebi a notícia que revolucionou a minha vida!

Engraçado como uma notícia tão importante me foi “dita” por mero um pauzinho de plástico (nem vou entrar em mais pormenores!) onde, pela primeira vez, em vez de um traço, apareceram dois.

Nem sempre os melhores presentes chegam em sumptuosos embrulhos (e isto dava uma analogia tão boa com o presépio!) e nunca um presente foi tão bom como este… Embora tivesse havido outros igualmente bons.

Curiosamente, foi em Dezembro que soube ia ser mãe pela primeira vez e foi em Dezembro, também, que fui, de facto, mãe pela segunda. Eu, de meu nome, Maria…. Dá para imaginar a quantidade paralelismos lamechas que me passam pela cabeça?!?

Mas contra factos não há argumentos e foi no dia 4 de Dezembro de 2007 que soube que tinha deixado de ser só uma. Estávamos dois dentro de mim e, de repente, tudo mudou. Para melhor, para tão melhor!

Hoje sinto-me especialmente feliz! Há sete anos que ando a realizar, diariamente, um dos grandes sonhos da minha vida e, ainda por cima, sinto que, apesar de nem tudo ser um mar de rosas, são sete anos com um saldo bastante positivo.

Não vivo a vida que sempre sonhei. Longe disso. Nunca me imaginei divorciada e… Aqui estou eu!

O que tem graça (se é que lhe podemos chamar assim) é que não obstante ter “descarrilado”, acabei por encontrar um caminho “alternativo” no qual me sinto, cada vez, mais “confortável”. Durante muito tempo senti que estava a percorrer um caminho que não era o meu. Mas é mesmo verdade que, nestas coisas, o tempo joga a nosso favor e, desde que tenhamos consciência do caminho que queremos percorrer, acabamos por ficar, aos poucos, um bocadinho mais felizes (apesar dos momentos tristes) e, sobretudo, muito mais nós próprias(os).

A vida muda quando somos mães (pais), é um facto. Mas o tipo de mãe (pai) que somos também muda com a vida.

As preocupações com os filhos nunca desaparecem mas, no meu caso, a ansiedade que dantes sentia tem sido substituída, aos poucos, por uma cumplicidade cada vez maior com os meus que me tranquiliza e apazigua.

O que me inquieta é perceber que, à medida que vão crescendo, eles se vão tornando, todos os dias, um bocado mais, e um bocado menos, nossos.

Menos nossos porque ficam mais independentes, mais autónomos e às vezes resolvem não gostar de beijinhos ou passam a ter vergonha se os decido esmigalhar no meio do recreio do colégio… Palermas!

Mas mais nossos, também, porque todos os dias lá fica mais um bocadinho de nós e, sem sabermos como, damos com eles a fazerem coisas que ninguém lhes ensinou, mas que são “a nossa cara”.

O meu filho mais velho terá herdado muitas coisas do pai, mas os genes todos, depois de devidamente misturados, resultaram num verdadeiro “mini-me-versão-masculina” que, às vezes, chega a ser assustador! Ainda outro dia em reunião com a professora dele, parecia que estava de braço dado com o Michael J. Fox num verdadeiro regresso, não ao futuro, mas ao passado… Creepy! O miúdo está na primeira classe e a professora até já disse que ele daria um bom advogado!… God!

Em qualquer circunstância, um facto inegável é que, pelo menos por agora, o rapaz parece ter herdado o percentil de estatura da mãezinha dele que mede uns modestos 1,55m e é… baixinho! Pequenino, mesmo! Enquanto rapariga foi coisa que nunca me incomodou e confesso até que acho alguma piada a isto de ser “portátil”! O MM está agora a descobrir esta “diferença”, mas parece que também já encontrou algumas vantagens na situação porque outro dia chegou a casa e disse:

MM – Oh mãe, é óptimo sermos baixinhos porque toda a gente nos acha fofinhos!…

M – Fofinhos MM???

MM – É verdade, mãe! Por ser baixinho e bem educado, toda a gente acha que eu sou “MUITA QUERIDO”

M – Isso de ser simpático e bem educado, não tem altura, MM, mas tu, miúdo… Tu serias “muita querido”, nem que fosses um gigante!…

E, no fundo, até és porque, como diz o pai, “as pessoas são do tamanho do seu coração” e tu, nosso Shane Williams, tens um coração ENORME!!!

MM – Sim, mãe, cabem cá dentro todas as pessoas que eu gosto!

M – Eu sei, meu amor.

 

… E pensar que esse há sete anos, esse coração gigante, batia DENTRO da MINHA barriga!

Estou feliz.

Ou melhor (e não se se se vai perceber a subtileza da correcção, mas…) hoje SOU FELIZ.

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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