Não é Natal sempre que alguém quer

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Confesso que não sei por onde começar.

Tenho tantas “laranjas no ar” neste momento, que me sinto um verdadeiro equilibrista… E eu que nem gosto de circo!

Entrámos em Dezembro, mês de muitos mixed feelings (lamento o inglês, mas “sentimentos misturados” não é bem a mesma coisa).

No plano profissional, afigura-se um mês de muito trabalho e, sobretudo, de desafios interessantes! Já disse que adoro o que faço?

E, por outro lado, tenho esta minha nova paixão (que me encheu de orgulho a entrar em Dezembro não com mil, mas com 1020 likes!) que não quero, nem posso, descurar.

Por outro lado, começou o Advento, uma altura que também não é linear para quem ainda não decidiu se (ainda) é católica.

O Advento significa que vem aí o Natal e ui…. Há tanto para dizer sobre isso!

Começando pelo fim – sou uma rebelde! – resolvi partilhar a minha vivência do Advento e a minha preparação para o Natal com todas as pessoas que me têm seguido e que me enchem de ânimo para continuar a escrever.

Comecei o meu Advento por mergulhar num texto absolutamente magnífico que recebi como presente antecipado. Infelizmente não o posso partilhar porque não sei se já foi divulgado pelo respectivo autor (amanhã já saberei!). O texto é fabuloso, embora não necessariamente bonito. Isto porque, ao contrário do que as pessoas têm tendência para fazer nestas alturas, o texto não “doura a pílula” nem torna mágico o Natal, só porque ser Natal. Limita-se a descrever o Natal. Real.

E a verdade é que, como tantas outras coisas, o Natal é e será aquilo que fizermos dele… E, inevitavelmente, o que dele fizerem para nós.

Por muito que queiramos armarmo-nos em auto-suficientes, a nossa condição humana relembra-nos, mais frequentemente do que desejaríamos, que precisamos dos outros para sermos felizes. E quanto mais depressa aceitarmos isso, melhor. Digo eu.

Há inúmeros mitos em torno do Natal que o autor desconstrói com a sabedoria e a simplicidade de quem está habituado a ver, à lupa, a verdadeira essência das pessoas. Gostava de os partilhar ao longo dos próximos dias, assim obtenha a respectiva autorização.

O ponto de partida para esta reflexão é, desde logo, pouco ortodoxo (passe-se o paradoxo!): só há Natal, porque houve Herodes.

Confesso que não gostei quando ouvi pela primeira vez e foi-me dito “ao vivo”. Desde pequena que nutro um ódio de estimação por esta personagem que era capaz de mandar matar bebés. Então pensar que pudesse partir dele a história do Natal era algo que a minha educação profundamente católica tinha alguma dificuldade em digerir… Mas não deixa de ser verdade.

Sem Herodes, não havia fuga. Sem fuga, não havia necessidade de Jesus nascer assim. Se Jesus não tivesse nascido assim, não havia presépio. Sem presépio, não havia Natal…. Se, se, se.

A verdade é que os nossos Natais são também um somatório de “ses” que não começam no dia 24, que não começaram hoje com o Advento, mas que se vêm somando, aos poucos, desde o Natal passado. Na verdade, em cada Natal iniciamos a peregrinação para o próximo, cuja celebração mais não deveria ser do que o reflexo do que aquilo que se viveu todo o ano.

Daí que perceba que algumas pessoas se refugiem na alegada hipocrisia desta época para justificarem o facto de não gostarem do Natal, sem perceberem que o problema não está no Natal, mas em todos os outros dias em que se esquece que o Natal não é sempre que alguém quiser (como se houvesse um interruptor!), é Natal sempre que se ama. 

Esta afirmação tem o efeito imediato de me humedecer os olhos porque me lembro automaticamente da minha avó Nela que me ensinou muito do que sei sobre o Amor e que, infelizmente, fará este mês sete anos que deixámos de a ter a viver o Natal connosco. E dói. E faz questionar – tantas vezes! – se assim ainda vale a pena festejar o Natal. Imagino que o mesmo aconteça com todos os que já perderam alguém importante.

Felizmente, no meu caso, é uma ideia que vai e vem com a rapidez com que me lembro daqueles olhos azuis, do mais doce que pode existir, que me amavam incondicionalmente e que, sem saberem, me fizeram mãe, mesmo antes de ter tido os meus filhos.

Talvez por isso hoje o meu Natal tenha sentido. Porque sei exactamente que Natal quero viver e que Natal quero que os meus filhos vivam: um Natal agradecido por, um dia, alguém me ter ensinado que sempre que se ama é Natal.

Assim seja.

 

Nota: o artigo a que me refiro é do Prof. Eduardo Sá e espero poder partilha-lo em breve.

 

 

 

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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