Odeio desgostos de amor!

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Eu sei que ninguém gosta mas desconfio que a mim, acérrima defensora do romantismo, me incomodem mais do que seria normal!

Detesto saber de histórias de amor, de paixões ardentes ou se simples começos-de-alguma-coisa-que-se-podiam-tornar-numa-coisa-maior que… Puffff. Acabam.

Há quem compre revistas cor-de-rosa e regozije com cada pormenor de uma separação. Quanto mais mediática, então, melhor. Eu não. Recuso-me a participar desse festim de curiosidade mórbida em que os leitores se transformam em abutres que se alimentam dos restos daquilo que em tempos foi uma história de amor. Foram sentimentos e emoções vividos por pessoas que acabaram por morrer. É triste. Não tem piada. E a mim irrita-me!

Dêem-me tablóides com reportagens dos casamentos mais pirosos do mundo e eu sou uma mulher feliz! Não importa se a noiva parecia um suspiro gigante, se o fato cinzento do noivo quase brilhava no escuro ou se a menina das alianças parecia, também ela, uma mini-noiva de luvas de renda. Se mete amor, a Mary gosta!

Não estou sequer a falar dos meus desgostos. Desses é óbvio que não gosto. Ninguém gosta de sofrer mas, por princípio e regra geral, não gosto de histórias do coração que chegam ao fim.

De quem quer que seja. Se há coisa que mexe comigo é ver amores morrer!

Claro que incomoda 100 vezes mais se acontece a pessoas que conheço e 300.000 vezes mais ainda se é com pessoas de quem gosto.

Atenção que não estou a culpar a A ou B nem à procura de bodes expiatórios. Somos todos crescidinhos e já sabemos que as histórias nem sempre acabam como gostaríamos ou, melhor, como gostaríamos que NÃO acabassem!

Mas parece que – sobretudo nós, miúdas – nascemos com o raio do “síndrome da gata borralheira”: alimentamos o desejo secreto de, um dia, alguém nos transformar na sua Cinderela (desconheço se os homens terão síndrome análogo, mas é algo que vou investigar!).

Sendo que a palavra-chave, para mim, não é “Cinderela”, mas sim, “sua“. E isto, nada tem que ver com propriedade ou (in)dependência, obviamente! Vamos tentar ver mais longe, shall we, people?

Podemos ser as maiores senhoras dos nossos narizes e, ainda assim, sonhar com alguém que saiba (esta palavra também é importante!) fazer-nos sua.

Até porque, convenhamos, sapatos de cristal devem ser o pesadelo de qualquer mulher e perder sapatos em festas será sempre apenas sinónimo de uma grande bebedeira.

É que tanto para eles, como para elas, são uma série de factores que se têm que conjugar e que tornam todo este jogo do amor muito interessante, é certo, mas também, tão difícil (mas tãaaao difícil quando jogado à séria e sem batotas!) que às vezes dá vontade de desistir…

Ainda ontem falava sobre isto com uma amiga (daquelas que é amiga com A grande e mulher com M maior ainda!) e, de facto, as relações são uma trabalheira dos diabos:

1. Ele tem que gostar.

2. Nós temos que gostar.

3. Ele tem que saber gostar.

4. Nós temos que saber gostar.

5. E depois a coisa ainda tem que funcionar em dois planos completamente distintos:

a) no da realidade do dia-a-dia: quem vai às compras, faz o jantar, paga as contas, toma conta dos miúdos e ainda gere as relações com a sogra;

b) e no plano (que, à falta de melhor palavra vou chamar de) etéreo, que se traduz, no fundo, na necessidade da existência do tal je ne sais quoi que transforma um amorzinho banal numa grande paixão.

 

Mas a verdade é que todos, nos nossos castings amorosos (reais, imaginários, programados ou inesperados), acabamos por nos envolver e, algures no meio da equação daqueles pontos todos que dão um trabalhão, damos por nós, algumas vezes, mais envolvidos do que gostaríamos. Não interessa se é amor, mas há ali qualquer coisa à qual nos entregámos e que nos está a fazer sonhar…

… E basta isso para fazer doer se a coisa não se der, como gostaríamos que se desse.

Por isso ontem, na conversa que tive, acabei por me lembrar do que diz o poeta: “a vida só se dá para quem se deu”.

Acredito nisto.

Apesar destes desgostos que vou sabendo aqui (também os tenho, claro!) e ali, faço questão de continuar a acreditar.

Por muito que não goste deles, os desgostos não deixam de ser o mal necessário do próprio amor.

Sabem aquele jogo de fechar os olhos e cair para trás? Mesmo depois de uma valente queda e depois de devidamente recompostos, temos que voltar a jogar.

Acredito que vale a pena voltar a deixar-mo-nos cair. Um dia, vai haver quem nos saiba agarrar.

Palavra de Mary!

 

“Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão.”

 

mary

Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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