1º Momento Dirty Dancing da semana – “Nobody puts baby in a corner!”

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Quem me conhece sabe que sou uma romântica ferrenha e que, para mim, o cavalheirismo, é algo que jamais passará de moda. Gosto, o que é que se há-de fazer?

Ora bem, sai uma pessoa de casa toda arranjadinha para ir trabalhar, mete-se no carro, deixa as crianças no colégio, segue para o trabalho a ouvir a sua musiquinha lamechas quando, ao chegar à porta da garagem, constata que, num acto de inteligência pura, deixou o comando da garagem na carteira que, por sinal, nesse dia, resolveu enfiar na bagageira, juntamente com outros trezentos mil sacos que trazia.

Estamos, pois, em pleno Chiado, com carros e eléctricos a quererem passar em ambos os sentidos e a pessoa não pode, simplesmente, parar o carro no meio da rua para ir buscar o comando. Opto, então, por subir um pouco mais a rua e, na primeira oportunidade, entrar para um pequeno beco para poder parar o carro e ir, então, à caça do comando perdido.

Meu dito, meu feito, entro no beco de frente, paro o carro e, mal saio, enfio o salto dos sapatos no meio nas pedras da estrada e tropeço, vestindo uma linda saínha curta travada!… A jeiteira que eu tenho para este tipo de números é uma coisa por demais!

Nesse preciso momento, reparo que estão dois senhores a conversar no passeio perto de mim e que – claro! – depois da minha ameaça de queda, contiveram a gargalhada que lhes apetecia dar, continuaram a conversar como se nada fosse, mas ficaram os dois a olhar  pelo canto do olho, na esperança que o filme cómico fosse continuar.

Eu lá começo a interminável travessia até à bagageira, com todo o cuidado, mas tentado não perder o meu ar cool, sobre aquelas pedras malditas!… Grandes, pretas, geralmente redondinhas e luzidias que um homem – sim, porque uma mulher NUNCA escolheria um pavimento destes! – achou que era boa ideia usar para fazer a estrada. Genious!

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É que, se para uma pessoa naturalmente desastrada com pouco jeito para andar de saltos (eu, Mary, me confesso!), já é mau fazer estas travessias em plena baixa Lisboeta, com “audiência”, então, esqueçam!.. É tipo “sentença de morte das quedas”! Parece que só se ouve “vais cair, vais cair”

Apesar da pressão acrescida, lá cheguei à bagageira e enquanto a minha mão remexia a imensidão da minha carteira, tinha suores frios só de pensar que teria que fazer o percurso inverso para voltar para o lugar do condutor. Não tenho nem uma carrinha nem um mono-volume, mas de repente o meu carro parecia um autocarro da carris!

“Vamos a isso, Mary! Deixa-te de pieguices (disse pior, mas não é coisa que se escreva!)! És uma mulher ou és um rato?!?”

Yeah, right! Mal começo, nova ameaça de tralho! Nova ameaça de gargalhada por parte dos gentlemen que viam a cena pelo canto do olho com um ar altamente divertido… As figuras que nós fazemos, mulheres lisboetas!

Depois deste lindo espectáculo, entrei no carro corada que nem um tomate e comecei a fazer marcha atrás para voltar à estrada principal e poder ir para a garagem.

Ora bem, para quem não conhece o trânsito daqui, a baixa é uma espécie de mar em dia de bandeira amarela: cada vez que passa um eléctrico vêm, colados a ele, não 7, mas 70 carros de seguida. Desta vez, a minhoquinha de carros simplesmente não tinha fim e não passava um único cavalheiro ou uma senhora simpática que se prontificasse a deixar-me entrar.

Vendo o que se estava a passar – porque afinal tinha estado o tempo todo atento à performance da Mary! – um dos senhores que tinha feio um esforço sério para não se rir dos meus tropeções em série, vem ter à janela do meu carro, eu abro ligeiramente o vidro e ele diz:

“não se preocupe, eu vou tirá-la daqui!”.

E, dito isto, o Senhor sai disparado para o meio da estrada, estica o braço e, sem mais, ali fica, no meio da estrada de braços abertos a fazer de barreira humana para eu poder passar. Faz-me sinal para fazer marcha atrás e pisca-me o olho….

Eu abro o vidro, digo um sorridente e envergonhado: “muito obrigada”…

Na minha cabeça – sim, esta parte foi só mesmo na minha cabeça! – ouço-o dizer:

“Nobody puts baby in a corner!” 

“Ohhh, Johnny!!!”

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Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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