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Estou a 11.582m de altitude, a 694Km de Chicago e não consigo para de pensar no texto que uma pessoa de quem gosto muito me enviou e que reproduzo abaixo. Não sei a autoria, mas adorava saber.

Por isso, e apesar de estar, literalmente, com a cabeça nas nuvens, ainda não parei de pensar no meu percurso de vida (vulgaríssimo, por sinal).

Fascina-me esta capacidade que algumas pessoas têm de aprender com o passar do tempo!

Confesso que sempre me achei uma péssima aluna da escola da vida, pela dificuldade que tenho em usar essa “sabedora acumulada” no tempo certo.

Já estou como a Mafalda quando diz que “la respuesta genial sempre nos ocurre cinco segundos después de haver dado la estúpida”. Assim estou eu com a vida.

Tenho um amigo que não raras vezes começa as frases com “a vida ensinou-me…”. Sempre que o ouço dizer isto penso no quanto gostava de ser daquelas pessoas que com o passar do tempo ficam mais sábias. Ele ficou!

Por isso hoje, no meio das nuvens, decidi desafiar-me a mim própria a fazer uma “lista” do que tenho aprendido com a vida. Vale o que vale, absolutamente nada para quem lê e porventura pouco para mim também porque amanhã já pode ter mudado!

Não descobri a pólvora e tenho a certeza que as minhas “descobertas” são verdadeiros “daaaaah” para a maioria das pessoas, mas porventura mais importante do que o facto em si é o reconhecimento da sua impotência e, nessa medida, pareceu-me importante elencar para registar. (Defeito profissional, certamente!).

Com o tempo apercebi-me que o nosso maior desafio na vida é conseguirmos tornar-mo-nos naquilo que realmente somos. Conseguir distinguir o essencial do acessório e ir guardando apenas aquilo que realmente importa.

Aprendi que, para o bem e para o mal, o que importa na vida são as pessoas. É com pessoas ou por pessoas que passamos os piores e os melhores momentos da nossa vida.

Percebi que as pessoas nem sempre são como nós gostaríamos que fossem e, nessa medida, nos desiludem, e que isso não tem mal. Mau é as pessoas desistirem de nós. Ou delas próprias.

Aprendi que a família onde nascemos nos moldou mas não determina quem somos e que os graus de parentesco têm o valor e o significado que lhes atribuirmos. Não nascemos filhos. Tornamo-nos filhos quando alguém vê em nós o melhor do mundo e revelamo-nos pais quando aprendemos a amar incondicionalmente,

Aprendi que não basta amar. É preciso saber amar e para saber amar é preciso conhecer.

Aprendi, também, que ninguém morre de amor e que é possível viver-se triste. Mas sempre que um amor morre, leva com ele um bocadinho de nós.

Percebi que, às vezes, magoa mais a morte (para nós) de alguém que continua vivo do que a morte física de alguém que permanece vivo em nós. Percebi que a dor que mais magoa é aquela que achamos que não temos legitimidade para sentir.

Aprendi que a saudade é incurável e que, diga-se o que se disser, a morte de um pilar não se ultrapassa. Aprende-se a viver com o desequilíbrio causado pela sua ausência e tenta colmatar-se o vazio… à custa da perda da inocência.

Aprendi que a vida nem sempre corre como queremos, muitas vezes porque deixámos de querer o que achávamos que queríamos ou porque não fomos capazes de realizar tudo aquilo que tínhamos sonhado… E que temos de nos saber perdoar por isso.

Aprendi que acabamos por fazer imensas coisas que sempre jurámos que nunca faríamos e que erramos muito mais do que achámos que erraríamos. Mas aprendi também que não tem mal mudar de opinião ao longo da vida.

Aprendi que é mais importante ser feliz do que ter razão e que, por isso, há que escolher as batalhas que queremos travar.

Aprendi que é difícil adaptar-mo-nos a realidades que nunca nos programámos para viver e que se demora bastante mais tempo a integrar uma decisão do que a toma-la.

Aprendi que – feliz e infelizmente – nada dura para sempre.

Aprendi que, se tudo correr bem, as certezas vão dando lugar a dúvidas e que as dúvidas nos tornam mais tolerantes e cada vez mais autênticos e despojados.

Aprendi que o nosso pior inimigo é o medo, mas acredito que somos sempre mais fortes e mais corajosos do que achávamos que seríamos à partida.

Aprendi que “só ancorando se navega” e que a vida tem muito mais piada quando partilhada. Assim se encontrem portos seguros para ancorar!

Aprendi que a maior valência do amor é ser inesgotável: não se divide, multiplica-se.

Aprendi que as melhores coisas da vida são sempre dadas: um sorriso, um “xi-coração”, um mergulho, um beijo, um desenho de um filho ou um bilhete de quem se gosta, uma boa gargalhada, um espirro, um abraço ou um elogio merecido.

Aprendi a reconhecer o incomensurável valor de poder dizer que alguém é nosso amigo “há mais de 30 anos”, mas também que não há limite de idade para se fazerem amigos de vida e para a vida. E que fazer amigos destes depois dos 30 é muito mais do que uma agradável surpresa que a vida tinha reservada para nós. Ás vezes são verdadeiras tábuas de salvação que – quero acreditar! – alguém pôs no nosso caminho.

Aprendi que a amizade é uma coisa séria porque afinal tornamo-nos responsáveis por aqueles que cativamos e que nos permitem, com sorte e muita empatia, viver uma felicidade altruísta: ficar feliz porque o outro está.

Aprendi que podemos passar a vida a sonhar, mas que na maior parte das vezes a realidade “bate o sonho aos pontos”!!!

Confirmei que ser mãe é a melhor coisa do universo e que ser tia vem logo a seguir.

Fui percebendo que vale a pena lutar, diariamente, por sermos um bocadinho melhores e mais felizes do que no dia anterior.

E constato que há instantes que trazemos na alma que nos permitem ser felizes para sempre, embora nem sempre sejamos felizes.

 

“Depois de algum tempo aprendi a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendi que amar não significa apoiar-me, e que companhia nem sempre significa segurança. E comecei a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabei por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendi a construir todas as minhas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de algum tempo aprendi que o sol queima se me expuser a ele por muito tempo. Aprendi que não importa o quanto eu me importo, simplesmente porque algumas pessoas não se importam… E aceitei que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-me de vez em quando e preciso perdoá-la por isso. Aprendi que falar pode aliviar dores emocionais. Descobri que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderei fazer coisas das quais me arrependerei para o resto da vida.

Aprendi que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tenho na vida, mas quem tenho na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendi que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebi que o meu melhor amigo e eu podemos fazer qualquer coisa, ou nada, e termos bons momentos juntos.

Descobri que as pessoas com quem eu mais me importo são tiradas da minha vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendi que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Comecei a aprender que não me devo comparar com os outros, mas com o melhor que posso ser. Descobri que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendi que, ou controlo os meus actos ou eles me controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados.

Aprendi que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendi que paciência requer muita prática. Descobri que algumas vezes a pessoa que espero que me empurre, quando caio, é uma das poucas que me ajuda a levantar. Aprendi que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tive e o que aprendi com elas do que com quantos aniversários já comemorei. Aprendi que há mais dos meus pais em mim do que supunha.

Aprendi que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendi que quando estou com raiva tenho o direito de estar com raiva, mas isso não me dá o direito de ser cruel. Descobri que só porque alguém não me ama da forma que desejo, não significa que esse alguém não me ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprendi que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tenho que aprender a perdoar-me a mim mesmo. Aprendi que com a mesma severidade com que julgo, poderei ser em algum momento condenado.

Portanto,vou plantar o meu jardim e decorar a minha alma, ao invés de esperar que alguém me traga flores. E aprendi que realmente posso suportar mais … que sou realmente forte, e que posso ir muito mais longe depois de pensar que não posso mais. E que realmente a vida tem valor e que eu tenho valor diante da vida! As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.”

mary

Mary – esta personagem que me permite soltar a minha veia de “jogador da bola” e falar na terceira pessoa! – mas cada vez mais tenho procurado abolir os rótulos da minha vida. Posso acrescentar, ainda assim, que a Mary é uma mulher na (fabulosa!) casa dos 30, mãe convicta de dois filhos que ama de paixão e com uma profissão que lhe dá imenso gozo.

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